terça-feira, 27 de outubro de 2009

O silêncio dos inocentes

Hoje fui a um Seminário em São Paulo sobre desoneração tributária. Excelente. Pude agregar mais dados ao meu conhecimento sobre o assunto e comprovar o que já possuía.
Entretanto, algo maior me chamou a atenção. Ao final da palestra, um empresário soltou um desabafo. Contou que um parceiro chinês seu desistiu de fabricar no Brasil face à alta carga tributária do país. As contas demonstraram ao investidor que era mais vantajoso exportar para o Brasil do que produzir e exportar a partir dele. Pelas políticas que temos em nosso país quanto a isso, nada de novo. Mas ele estava desolado e bastante pessimista, se referindo à "volta ao período colonial".
Logo após o desabafo, um jornalista do Jornal "Valor Econômico" se aproximou dele e ofereceu seu cartão para marcar uma entrevista. O empresário pegou o cartão, olhou e quando ouviu a proposta do jornalista, recusou peremptoriamente. Verbalizou: "Não dá. Aí eu vou me complicar. Posso falar aqui mas fora não dá". O jornalista ainda insistiu: "Fique com o meu cartão caso mude de ideia". E o executivo retrucou "Não. Eu não vou mudar de ideia. Obrigado".
Onde está a nossa liberdade?
Para nos pouparmos fazemos críticas em círculos familiares, ou onde seremos bem recebidos, sem muitas vezes, contudo, levar o problema a quem realmente deve escutá-lo e ajudar a resolvê-lo. Pagamos um grande preço pelo nosso silêncio. Calamos a nós e a todos os inocentes, e deixamos que os tiranos tomem cada vez mais espaço.

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